Educação precisa ser pensada a longo prazo

Nosso diretor, Bruno Souza, concedeu entrevista ao jornal Folha da Região, publicada no último domingo, dia 2 de fevereiro de 2020. Confira na íntegra.

“A educação no Brasil precisa ser levada a sério”. A frase é do empresário do ramo educacional em Araçatuba, Bruno Raphael de Souza. Articulista semanal da Folha da Região , ele apresentou no final do ano um plano de expansão de sua escola e aceitou convite do jornal para falar dos desafios do setor para 2020 e no futuro a médio e longo prazos na cidade e no Brasil.
Segundo ele, a educação tem que deixar de ser projeto de governo para se transformar em um projeto de Estado, ou seja, um plano contínuo, sólido que atravessa às mudanças de nomes e ideologias. “Temos que aprender a planejar e a executar”, afirmou.

PRINCIPAIS TRECHOS DA ENTREVISTA:

Como o senhor avalia hoje a educação no Brasil?

Tivemos um grande avanço nos últimos anos. Temos que ter um olhar histórico. Vamos pegar um recorde de datas para ficar fácil para a gente entender.
Estamos em 2020. Então, vamos voltar a 100 anos para entender. De acordo com o IBGE, a taxa de analfabetismo na década de 1920, para pessoas a partir dos 15 anos, era de 65%. O percentual só foi baixar da metade da população na década de 1940, quando caiu para 40%, o que representava cerca de 15 milhões de pessoas. Hoje esta taxa é de 6,8%.
Tudo bem que estamos falando em 11,3 milhões de pessoas. Mas nos últimos 100 anos houve avanço. Mas os desafios ainda são grandes. Temos que falar em qualidade. E ai está um grande gargalo.

Na visão do senhor, o que impede o Brasil avançar mais?

A educação no Brasil precisa ser levada a sério. Temos que aprender a planejar e a executar. Ao longo da história tivemos várias orientações de como fazer. Sempre que uma nova pessoa assume o Ministério, a nível federal, ou a Secretaria de Educação, nos níveis estaduais e municipais, muda-se quase tudo.
Cada um que chega entende que os rumos devem ser corrigidos, ou simplesmente tem-se que acabar com o projeto do anterior, por questões políticas.
A educação no Brasil irá mudar, na verdade, quando deixar de ser uma política de governos para se tornar uma política de Estado. Ou seja, temos que agir a longo prazo, com um norte sempre em comum. Temos que aprender a planejar e a executar.

O senhor atua no ensino privado. Desde o final do ano de 2008, o setor tem virado o jogo em relação ao Estado. Passaram a ser referência em investimentos e qualidade. Como o senhor avalia este distanciamento?

Os números das últimas provas internacionais demonstraram que os alunos das escolas particulares tiveram melhor desempenho, é verdade. Mas como cidadão, gostaria que na houvesse esta diferença.
É importante para o país que todas as escolas sejam boa, que se adaptem aos novos tempos e atendam às demandas da sociedade. Todos nós temos que exigir e trabalhar para que as escolas públicas também recebam investimentos, que se modernizem.
Mas quero deixar uma ressalva: temos projetos pedagógicos maravilhosos e profissionais de grande valor no setor público. E quase sempre eles têm que lutar contra as adversidades impostas pela falta de orçamento, por lidar com crianças que mal são alimentadas e vivem em ambientes em que a educação é mais uma obrigação que um projeto de vida e conseguem resultados grandiosos.

As escolas, com giz, lousa e professor que só passa o conteúdo programado está com os dias contados?

Olha, todas as formas e ferramentas atendem às demandas específicas. O educador tem que saber quando usar uma ou outra. Ele tem que ser o orientador das ações e saber quando sair da aula expositiva para a interativa. Claro que os jovens podem usar mais tablets e celulares em sala de aula, para pesquisas e ampliação do conhecimento.
Mas não se trata de jogar uma coisa velha fora e mudar. Há essências no ensinar que não mudam. A mediação do professor é o mais importante. Nada está com os dias contados quando se sabe quando e como usar as ferramentas certas no momento que exigem elas.

Em seus artigos o senhor sempre defende que as famílias devem participar da escola, assim como os cidadãos devem participar do debate público sobre a educação. Fale mais sobre esta visão.

Nada no mundo se faz sozinho. As famílias devem estar em diálogo com a escola para saber o que se passa e ser parceira no processo. Os pais podem ajudar muito a estender o processo educacional em suas casas. Os pais devem ler, conversar e orientar com os filhos conteúdos que estão sendo debatidos nas aulas.
E o cidadão não pode apenas reclamar nos governos e não fazer sua parte. A cidadania não acaba na hora do voto. Ela é exercida todos os dias, de várias maneiras. Tem que acompanhar, cobrar aplicação dos planos de governo e fiscalizar os gastos, por exemplo.

Para finalizar, o que o senhor espera da educação em 2020 e para o futuro?

Que seja um ano de grandes mudanças. Os anos eleitorais são propícios para reflexões e debates sobre a educação. Como nação temos que aprender a planejar e a executar as ações em todas as esferas, principalmente na educação, que é a base de tudo.

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