Artigo do diretor: Educação e autonomia

Na última semana uma plataforma de streaming no Brasil começou a exibir um reality show japonês chamado “Crescidinhos”. O programa, que é novidade para os telespectadores do Ocidente, já é exibido no Japão há mais de três décadas. Em seus episódios, podemos acompanhar crianças desacompanhadas realizando tarefas cotidianas para um adulto, como fazer uma pequena compra e atravessar uma rua movimentada usando a faixa de pedestre. Muitas famílias, naquele país, até pagam para que profissionais filmem seus filhos em situações como estas para perpetuar a autonomia dos pequeninhos. 

Diante desta novidade, resolvi colocar em debate, com nossos leitores, qual a importância de se dar autonomia às crianças e em qual medida temos que promover esta independência. No âmbito familiar, este processo depende da própria estrutura e história dos pais ou responsáveis.  

No âmbito escolar, de acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil elaborado pelo MEC, “a autonomia pode ser definida como a capacidade de se conduzir e tomar decisões por si próprias, levando em conta regras, valores, sua perspectiva pessoal, bem como a perspectiva do outro, é, nesta faixa etária, mais do que um objetivo a ser alcançado com as crianças, um princípio das ações educativas”. 

O ambiente escolar possibilita aos pequenos as tomadas de decisão, a construção coletiva de regras, os debates, a manifestação dos sentimentos e como lidar com eles, as escolhas, a resolução dos conflitos e o respeito mútuo, consequentemente, ele promovendo intensamente o desenvolvimento da autonomia na educação infantil. 

E de que forma podemos ajudar as crianças, em ambiente escolar – e até mesmo em casa – a conseguirem desenvolver esta independência? Um dos passos importantes é o encorajamento para que tomem iniciativas para execução de tarefas, valorizando suas tentativas com elogios e exemplos.  

Outra forma é dar aos alunos a oportunidade para que eles façam pequenas escolhas dentro da rotina diária. Também destaco a criação de espaços para os pequenos possam se expressar, incentivando e auxiliando a criança a explicitar suas emoções. Valorizar as proposições de ideias das crianças fortalece sua autoestima e por isso os professores precisam pedir que elas colaborem com sugestões a respeito de suas curiosidades e o que desejam aprender. 

É importante também que os professores, assim como os pais, permitam à criança se frustrar e lidar com esse sentimento. Deixe-as fracassar em algumas tentativas, pois errar faz parte de qualquer processo de aprendizagem e é importante para o desenvolvimento da autonomia.  

Considero importante que as escolas, acima de tudo, estimulem a curiosidade e a investigação. A criança já é naturalmente curiosa e, na Educação Infantil, o educador pode atrair o interesse dela a partir das suas escolhas espontâneas.  

A questão da criatividade é a que mais prezo. Toda criança que aprende a lidar com o lúdico consegue, de melhor forma, criar conexões que as ajudarão no futuro. A série “Crescidinhos” é interessante, mas repetir padrões é apenas uma parte do processo. Autonomia também pressupõe criar senso crítico e usar das informações disponíveis para construir conhecimento. 

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