Artigo do Diretor: As aulas e o normal

Estamos no período de início do ano letivo. Algumas instituições já iniciaram o calendário de aulas e outras começam o atendimento nos próximos dias. E assim como foi no ano passado, a pandemia tem ditado as regras. Continua o sistema de distanciamento, com o computador sendo o meio de ligação entre os professores e os alunos. E as regras para o retorno das aulas presenciais ainda são confusas e voláteis.

Mas, apesar deste cenário, ainda é possível vislumbrar um ano muito positivo para a educação. Já há melhor adaptação para as aulas on-line e com a vacinação há a esperança de que possamos retomar o normal.

Inclusive, é sobre o hipotético normal que gostaria de falar. Não devemos nos apegar aos velhos conceitos para falar sobre a normalidade nas aulas. Como temos discutido aqui nas últimas semanas, a pandemia apenas acelerou um processo de inserção das novas tecnologias na educação. O que antes era apenas uma tendência, passou a ser a realidade.

Fomos forçados a trazer o futuro para o agora. Educadores, coordenadores e alunos, e também seus pais, tiveram que aprender rapidamente a usar o computador, as salas de reunião on-line e a ter novos meios de intermediação de debates de conteúdo.

E ao ser liberada a volta das aulas em sala física, não se pode simplesmente ignorar os avanços que fizemos em relação à velocidade da informação. A internet terá que ser mantida nas aulas em 3D, na apresentação de conteúdos e ao trazer especialistas e convidados, de forma remota, para aulas específicas.

A educação tem que ser feita se pensando para frente, pois as escolas correm o risco de não ficarem em consonância com a realidade dos estudantes. As crianças e os jovens hoje já nasceram em um mundo em que a internet é tão trivial como água encanada e luz elétrica.

É até um desserviço para eles que as escolas continuem off-line, com o sistema baseado em lousa, giz e livros impressos. Como se pode passar conhecimento para as novas gerações se as escolas mesmas ignoram o mundo novo?

Essa volta às aulas precisa ser marcada pela chegada deste futuro, que não está pronto. E o desafio é que as escolas e as autoridades que cuidam da rede pública possam aproveitar este momento para fazer acontecer a evolução que todos esperam na educação do nosso país.

E este é um grande desafio para a nossa sociedade. O acesso à internet ainda não é realidade para muitos alunos e nem mesmo as escolas garantem o serviço. Hoje, 29% das unidades da rede pública não têm internet e 55% não têm conexão adequada. Os dados aparecem na pesquisa realizada pelo Datafolha e encomendada pela Fundação Lemann. O levantamento entrevistou, por telefone, 1.005 professores de escolas públicas de todas as regiões do país, entre 22 de setembro e 10 de outubro de 2020, e tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos. A região Nordeste é a que registrou o maior índice de escolas sem acesso à internet. Por lá, 35% das unidades da rede pública não têm conexão. Ela é seguida pelas regiões Sudeste (32%), Centro-Oeste (24%), Norte (23%) e Sul (14%). A pesquisa indicou ainda que 99% dos professores do país consideram imprescindível ou importante que o acesso à internet em escolas públicas melhore em 2021.

E essa é a esperança de toda nossa sociedade. Que a internet chegue para todos, mas que o fosso social não se agrave e não se crie bolhas de excelência. A educação tem que ser inclusiva, e não ferramenta de segregação.

Que o novo normal seja de inclusão de novas tecnologias nas salas de aula e, acima de tudo, para todos.

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